Diretriz de Atenção à Saúde da Criança

“A Diretriz de Atenção à Saúde da Criança busca contribuir com as equipes de saúde, integrando todos os seus profissionais para um olhar voltado à promoção da saúde da criança, a prevenção de agravos e assistência adequados.

Composta por três grandes eixos, a Diretriz traz como seu primeiro eixo a organização da atenção à saúde da criança, orientando as equipes para o foco principal, para que frente às inúmeras demandas da Unidade de Saúde, priorize o essencial, com o fortalecimento do vínculo, do compromisso e comprometimento na atenção à saúde das crianças. Além disso, reforça a importância da identificação precoce das situações de risco ao nascer e risco evolutivo, e dos sinais clínicos de alerta. O segundo eixo trabalha os aspectos essenciais à saúde infantil, norteando para as ações de promoção ao crescimento e desenvolvimento saudáveis. O terceiro eixo auxilia os profissionais para a conduta na assistência aos principais agravos à saúde da criança e expõe os indicadores de saúde infantil a serem não apenas trabalhados, mas monitorados pelas equipes de saúde, apontando para a necessidade de avançarmos dos indicadores quantitativos para a construção de novos indicadores qualitativos para a saúde da criança.

Construída a partir das demandas ouvidas pelas equipes das Unidades de Saúde, com o concurso de profissionais que atuam nas Unidades de Saúde e das sociedades científicas, a Diretriz de Atenção à Saúde da Criança conta com a validação da Sociedade Paranaense de Pediatria e Associação Brasileira de Enfermagem – Seção Paraná, e aprovação da Comissão da Criança do Conselho Municipal de Saúde de Curitiba.”

 crianca

 Diretriz de Atenção à Saúde da Criança

Rede de Atenção e Proteção à Pessoa Idosa em Situação de Risco para a Violência

           O envelhecimento populacional é um fenômeno verificado por meio do aumento na proporção de pessoas idosas (de sessenta anos e mais), resultante do declínio das taxas de natalidade, da queda das taxas de mortalidade e do aumento da expectativa de vida.
           O número de pessoas idosas multiplicou-se aproximadamente três vezes em quarenta anos, chegando a representar quase 11% da população brasileira em 2010.
           Somando-se aos aspectos fisiológicos próprios do processo de envelhecimento e às doenças comuns nesta faixa etária, a pessoa idosa está também suscetível à violência e, com ênfase, à violência doméstica ou intrafamiliar.
         À luz desse cenário, o Município de Curitiba acrescentou às suas tantas outras iniciativas inovadoras, a implantação da “Rede de Atenção e Proteção à Pessoa Idosa em Situação de Violência”. No dia 10 de dezembro de 2012, em evento público realizado no Hospital do Idoso Zilda Arns, ocorreu o lançamento do “Protocolo de Atenção e Proteção à Pessoa Idosa em Situação de Risco para Violência” que tem por finalidade nortear, pactuar e estabelecer o processo de organização de todas as ações desta Rede.

 

Definição:

             A  Rede  de  Atenção e Proteção à Pessoa Idosa em Situação de Risco para a  Violência é alicerçada em um  conjunto de  ações  integradas e intersetoriais desenvolvidas pelo Município  de  Curitiba, com a missão de  prevenir as situações de risco por violação de direitos, atender e proteger  à pessoa idosa em  situação de risco para a violência ou em situação  de violência.

Objetivo Geral:

Promover e fortalecer as ações municipais de prevenção da violência e de atenção e proteção à pessoa idosa que se encontra em situação de risco para a violência ou em situação de violência, mediante articulação e atuação intersetorial  e integrada.
  

Objetivos Específicos:
- Promover as ações de prevenção da violência.
- Ampliar a identificação de situações de risco para a violência e/ou de violência contra a pessoa idosa.
- Notificar os casos suspeitos e ou confirmados de violência, preenchendo a ficha de notificação obrigatória, atendendo ao fluxo de encaminhamento pré-estabelecido.
- Implementar ações de atenção e proteção em situações de violência contra a pessoa idosa.

Quem é a pessoa idosa?
De acordo com a Lei 8.842 de 04 de janeiro de 1994, art. 2º da Política Nacional do Idoso, considera-se idosa, para efeito desta Lei, a pessoa com sessenta anos ou mais.

Os tipos de violência contra a pessoa idosa podem ser:

Física: agressão com o uso de força física, armas ou objeto, causando ferimentos.
Sexual:  estupro, sexo forçado no casamento e outros.
Psicológica: humilhação, ameaça, chantagem, isolamento e ridicularização causando dano emocional.
Moral: calúnia (acusar de crime não cometido), ou difamação (falar mal da reputação perto de uma ou mais pessoas), ou injúria (xingar e ofender a dignidade).
Patrimonial: quebrar objetos pessoais, esconder ou destruir documentos, usar dinheiro da aposentadoria  ou bolsa família.
Negligência: falta de cuidados básicos, de alimentação, de medicamentos ou de higiene.
Institucional: exercida por profissionais nos próprios serviços ou instituições, por exemplo, em  casas de repouso ou  serviços de atendimento.

A Rede de Atenção e Proteção à Pessoa Idosa em Situação de Risco para a Violência é formada por profissionais de várias instituições, envolvidos  no enfrentamento  à violência. Ela precisa da participação da comunidade, informando sobre a ocorrência de maus tratos contra pessoas idosas!

O envelhecimento do corpo faz parte do desenvolvimento humano;  devemos  compreender que  a  pessoa idosa tem direito a um envelhecimento saudável e digno.

Portanto, fique alerta:

 Pessoas idosas com aspecto descuidado, que apresentem marcas no corpo mal explicadas ou sinais de quedas frequentes e que tenham familiares ou cuidadores indiferentes a elas, podem estar sendo vítimas de violência.

Onde procurar orientação ou denunciar :
•    Unidades Municipais de Saúde
•     Serviços Regionalizados da FAS
•     Delegacia mais perto de sua residência
•     Ouvidoria da Secretaria Municipal da Saúde:  0800-64-40041
•     Central  Municipal:  156
•     Disque Idoso do Paraná: 0800-41-0001
•     Disque 100 (Direitos  Humanos, nacional)


 Casos de violência contra a mulher com 18 anos  de idade ou mais :
•    Centro de Referência e Atendimento à Mulher em Situação de Violência, fone (41) 3338-1832
•    Delegacia  Especializada da Mulher de Curitiba, fone (41) 3219-8600

Hospitais de referência para atendimento de vítimas de violência sexual com 12 anos ou mais, até 72 horas depois da agressão:
•    Hospital de Clínicas: Rua General Carneiro, nº 181, no Pronto-atendimento da Maternidade, fone: 3360-1826
•    Hospital Evangélico: Rua Augusto Stellfeld, nº 1905, 7º andar, fone 3240-5120

 

protocolo idoso  Protocolo da Rede de Atenção e Proteção à Pessoa Idosa em Situação de Risco para a Violência

Pessoa em situação de violência

     Pessoa em situação de violência 

       O Município de Curitiba, desde o ano de 2000, tem amadurecido a atuação em rede visando o enfrentamento da violência contra crianças, adolescentes, mulheres e pessoas idosas com o estabelecimento de parcerias, principalmente entre a Secretaria Municipal da Saúde, a Secretaria Municipal de Educação, a Fundação de Ação Social e  também outros Órgãos e Instituições.
     A experiência adquirida ao longo desse tempo tem evidenciado e comprovado que o trabalho em rede sustenta-se fundamentalmente por um sistema de notificação obrigatória, pela sensibilização e capacitação contínua dos profissionais envolvidos e por um conjunto de atividades e fluxos de informação estabelecidos e pactuados entre todas as instituições e serviços atuantes.
     A coordenação do trabalho em rede para o enfrentamento da violência, a articulação dos serviços, a organização das reuniões e das capacitações e a gestão do banco de dados se encontra no Centro de Epidemiologia da Secretaria Municipal da Saúde. Os dados das notificações obrigatórias são digitados em sistemas Epi-Info e também são incluídos no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) do Ministério da Saúde, o que  possibilita a emissão de relatórios mensais e a análise quantitativas e qualitativas, entre outras, permitindo construir o perfil epidemiológico da violência contra crianças, adolescentes, mulheres e pessoas idosas em Curitiba.

Ficha de notificação obrigatória

Instrutivo de preenchimento da ficha notificação obrigatória

 

 Relatórios:

Relatório de Notificações da Rede de Proteção e do Mulher de Verdade 2011

Relatório de Notificações da Rede de Proteção de 2010

Relatório de Notificações da Rede de Proteção de 2009

Relatório de Notificações Mulher de Verdade de 2010

Relatório de Notificações Mulher de Verdade de 2009

Laboratório de Inovações em Atenção às Condições Crônicas

O aumento da prevalência de doenças crônicas não transmissíveis observado em Curitiba assim como a complexidade da atenção prestada aos portadores das mesmas é um grande desafio para a Secretaria Municipal da Saúde. Neste contexto, delineou-se, a partir de 2010, o Laboratório de Inovações em Atenção às Condições Crônicas (LIACC) que tem como objetivos principais: (1) produzir e disseminar conhecimentos relativos ao cuidado das condições crônicas pelas equipes de APS a partir do marco teórico das RAS; e, (2) desenvolver e experimentar soluções práticas e inovadoras, testando novos instrumentos para o cuidado, a gestão da clínica e a gestão do caso, aplicados pelas equipes multiprofissionais de APS no manejo das condições crônicas. O Cuidado Compartilhado, denominado CUCO pelo grupo condutor do LIACC, e o Autocuidado Apoiado, são tecnologias utilizadas no LIACC e testadas previamente em uma Unidade de Saúde do DS Cajuru. Nesta etapa de implantação do laboratório, foram sorteadas 6 Unidades Básicas de Saúde do DS CIC e Boqueirão. Com a avaliação dos seus resultados, ocorrerá a adequação e ampliação do processo para as outras UBS da rede pública.
O CUCO é um processo coletivo de atenção à saúde cujos objetivos são: empoderar os usuários para seu autocuidado; compartilhar informações sobre as condições crônicas; favorecer e apoiar a adoção de comportamentos saudáveis; monitorar as metas do plano de cuidado e as pactuações do Autocuidado Apoiado; fortalecer as relações entre os usuários e a equipe multiprofissional da APS; melhorar os resultados da atenção à saúde.
Consiste numa ferramenta de trabalho voltada à mudança de comportamento da equipe de saúde e dos usuários. Cada reunião inicia-se a partir das dúvidas, questionamentos e vivências dos participantes em relação à sua condição crônica. Ao compartilhar soluções de problemas para o alcance das suas metas, as pessoas estreitam seus laços de amizade e aprendem umas com as outras. As atividades são estruturadas de tal forma que a participação de novos membros no grupo pode ocorrer a qualquer momento.
No início da reunião, são estabelecidas as normas de convivência de forma colaborativa. Um membro da equipe de saúde levanta com os participantes quais são elas. Algumas normas gerais são: encorajar a participação de todos; dar opinião de forma aberta e honesta; perguntar (se não entender o que está sendo discutido); tratar um ao outro com respeito e consideração; ouvir atentamente os outros; tratar com confidencialidade as informações compartilhadas; ser objetivo (manter o foco) para que o trabalho possa começar e finalizar no tempo previsto e estar presente em todas as sessões planejadas sempre que possível.
Dúvidas e questionamentos são levantados, assim como os temas de interesse do grupo. Desta forma, é possível estabelecer uma agenda de futuros temas das reuniões. Nesta 1ª fase, o médico, enfermeiro ou outro profissional de saúde pode fazer comentários sobre as metas da atenção a uma determinada condição como o diabete e abordar aquelas que são mais desafiadoras para a maioria.
Desta maneira, é possível explorar o assunto amplamente, fazer as orientações pertinentes e levantar os principais problemas encontrados para o alcance dos resultados. É importante que todos compreendam que alcançar as metas da atenção tem como objetivo reduzir complicações da doença. No entanto, o alcance das metas resulta dos comportamentos adotados (estilo de vida) e estes dependem do conhecimento sobre a doença, da motivação para a mudança e do autocuidado.
As pessoas são estimuladas a expor suas potencialidades e dificuldades, trocar experiências entre si e relatar suas percepções em relação ao cuidado de si mesmas. Aquelas que fizeram pactuações anteriores podem comentar seus resultados. À medida que os problemas são relatados, o grupo é convidado a eleger pelo menos um, de preferência comum à maioria, para exercitar as possibilidades de solução em conjunto.
A segunda parte da reunião é reservada para as avaliações, que serão realizadas conforme preconizado nas diretrizes clínicas. Podem ser avaliados pressão arterial, peso, estatura no primeiro encontro, IMC (Índice de Massa Corporal), circunferência abdominal, lesões bucais, pé diabético, PHQ-2 e PHQ-9, insulina e outros.
Os dados do monitoramento devem ser anotados nas planilhas específicas (individual e de grupo) e servirão de subsídio para o estabelecimento ou repactuação do plano de autocuidado. Com o histórico dos usuários (resultado de exames, intercorrências, plano de autocuidado pactuado) em mãos, é possível elaborar ou repactuar o plano de autocuidado de forma colaborativa. As pessoas podem ser encaminhadas para outros grupos de atenção à saúde da UBS (reeducação alimentar, manejo do estresse, abordagem intensiva para cessação do tabagismo, seguimento farmacoterapêutico) e para avaliações ainda não realizadas como fundoscopia, planejamento familiar, saúde bucal, por exemplo. Quando necessário, é possível prescrever, solicitar exames e encaminhar para outras ações específicas de cada profissional.

Um dos produtos resultantes do Laboratório de Inovações no cuidado das condições crônicas na APS, coordenado pela OPAS/OMS Brasil e Conass, por meio da parceria com CONASEMS, SMS de Curitiba-PR, SES Paraná
e apoio do Ministério da Saúde, é a publicação sobre a experiência na UBS Alvorada.

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Autocuidado apoiado

O Autocuidado Apoiado consiste na sistematização de intervenções educacionais e de apoio realizadas pela equipe de saúde com o intuito de ampliar a habilidade e a confiança das pessoas em gerenciarem suas condições de saúde. As ações que as pessoas desempenham no seu dia a dia para prevenir, controlar ou reduzir o impacto das condições crônicas de que são portadoras caracterizam o AUTOCUIDADO. Já as intervenções da equipe de saúde para auxiliar as pessoas a qualificarem este processo caracterizam o APOIO AO AUTOCUIDADO.

As intervenções educacionais englobam duas dimensões. No âmbito da condição crônica, é importante que as pessoas conheçam a mesma e saibam quais são as metas do cuidado e as possibilidades de tratamento. No âmbito do cuidado, é preciso compreender que a mudança de comportamento é processual e que existem estratégias efetivas para a concretização da mesma. Reconhecer e lidar com a ambivalência, elaborar um plano de ação, resolver problemas do cotidiano, enfrentar situações de risco e manter o foco na mudança são algumas das habilidades que as pessoas precisam treinar com o apoio dos profissionais de saúde.

Para a equipe de saúde, é fundamental reconhecer o contexto pessoal, cultural e político como dimensões importantes na dinâmica de mudança de comportamento. Desta maneira, estabelece-se uma relação ética onde a valorização do outro, da sua história de vida e da sua capacidade em resolver seus problemas é considerada. Com o apoio dos profissionais de saúde, o usuário é quem decide quais comportamentos quer adotar neste momento, pactua e elabora um plano de ação para isso. A equipe de saúde acompanha e monitora este processo, auxiliando-o a adequar seu plano de acordo com os resultados alcançados. É uma parceria que se estabelece entre os profissionais de saúde, os usuários, seus familiares e a comunidade, para a construção de competências necessárias ao cuidado de si.

O Manual do Profissional sobre o Autocuidado Apoiado pretende qualificar as ações da equipe de saúde neste processo. Para tanto, propõe a utilização de técnicas efetivas de aconselhamento de pessoas e grupos que precisam considerar a possibilidade de mudar comportamentos. O manual foi dividido em três partes. A parte 1 aborda o referencial teórico, a parte 2 descreve o apoio ao autocuidado prestado pela equipe de saúde e orienta a utilização do Caderno de Exercícios. A parte 3 relata o roteiro dos encontros dos Grupos de Reeducação Alimentar da Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba. Já o Caderno de Exercício para o Autocuidado Apoiado traz atividades e exercícios que auxiliam as pessoas na mudança de comportamento, funcionando como um diário neste processo. As informações anotadas no caderno poderão ser consultadas toda vez que as pessoas quiserem relembrar os exercícios. Ele pode ser utilizado individualmente ou em atividades de grupo, potencializando, assim, o processo de mudança